Lake Mungo – 2008

.

.

.

.

A história é contada como um falso documentário mostrando o drama da família de Alice Palmer, uma jovem de 15 anos que morreu afogada em uma represa durante um passeio com a família. Com toda a dor que sentem os Palmer, é muito difícil levar a vida a diante principalmente quando aliado a isso começam a acontecer manifestações sobrenaturais atribuidas a Alice.

São exatamente 00h57min, acabei de assistir Lake Mungo e ainda estou com aquela sensação de final do filme. Neste caso, uma sensação inesperadamente tensa. Quando ouvi falar deste filme australiano não dei quase nenhuma importância e vendo o trailer continuei sem pretensões. Esta história de falso documentário já me saturou e câmeras na mão com fantasmas a solta me parece uma idéia ultrapassada, mas eis que Lake Mungo de 2008, anterior a estes filmes da moda, veio me desarmar completamente.

Quando o filme começa, somos apresentados aos Palmers e imediantamente a história do “desaparecimento” de Alice enquanto ela e o irmão nadavam na represa. É estranho como o formato consegue nos transportar de forma tão fácil para dentro do drama daquela família. A sensação de que Alice morreu paira no ar mas como acreditar sem um corpo? A sensibilidade como o assunto é tratado nos deixa intimo daquelas pessoas, da dor, do processo de perda e aceitação. Fiquei realmente triste com isso porque o filme é eficiente exatamente em tornar real esse sofrimento. As pessoas que aparecem são muito espontaneas e não parecem atuar, sem contar que seus biotipos são reais o bastante para acreditarmos ser um documentário… inclusive podemos ver legendas informando datas e nome das pessoas que estão falando.

Se tudo isso já é difícil, quando estranhos acontecimentos começam a ocorrer com os Palmers os pesadelos parecem não ter fim. Manifestações sobrenaturais fazem aquela familia flutuar entre o medo, sofrimento e tentativa desesperada de manter o laço com Alice. Estas manifestações são vistas em fotos e videos da família e de outras pessoas da cidade.

A muito tempo não vejo manifestações tão convincentes. Já estamos tão envolvidos com o drama da família Palmer que quando olhamos para aquelas fotos, já conhecemos Alice tão bem, que sobe um arrepio na espinha imediamente. Sabemos que é ela… mas o que ela quer? A coisa fica tão tensa que no meio do filme acontece uma reviravolta que lhe pega completamente desprevenido.

Após esta reviravolta o drama famíliar aumenta e o filme passa a ser um misto de terror, suspense, policial e principalmente drama.  É neste momento, ao tomar uma atitude corajosa que Lake Mungo se sobressai a todos os outros filmes do gênero falso documentário porque ele não apela para os sustos, pelo contrário… os momentos assustadores são explicados, algumas vezes antes de acontecerem, mas mesmo assim não relaxamos. O final do filme me deixou muito satisfeita e com uma sensação de tristeza também. Até porque tudo indica que um remake americano vem por aí…

Acho que as pessoas precisam abrir os horizontes e não se prenderem a filmes americanos. Lake Mungo é um filme australiano e muitos bons filmes que assisti ultimamente, vou escrever sobre eles… são europeus. O lado ruim é que dificilmente chegam ao Brasil fazendo com que tenhamos que recorrer a aluguel de DVD ou download.

18 comentários sobre “Lake Mungo – 2008

    1. É bem diferente de Wolf Creek mas posso dizer que têm a qualidade dos filmes australianos!
      Ele é mais um “terror psicológico” e carregado de drama.
      Quem espera fantasmas puxando pelo pé como em Atividade Paranormal, não vai gostar… a coisa é bem sutil.

      Curtir

  1. Bem legal o filme. Acabei achando pra assistir online e vi na net que o nome nacional dele é “Lago Misericordia”.
    Não sei se foi por causa da sua critica más, quando as coisas começaaram a acontecer eu ja pensei…isso aê é fake…todas as evidencias ja foram dadas…então eu tive meu momento Fuck Yeah, eu sabia e então veio o momento “oh wait!”, o momento “what??” , o momento WtF!?!” e o momento OMFG!!! Não é um filme que vai ficar te dando sustos más vai te ffazer ter trabalho pra dormir.

    Curtir

    1. Ahhhh Felipe,
      É uma pena que deixei seu espírito preparado pra descobrir um dos segredos .. deveria ser surpresa.
      Mas acho que todas as vezes que mostram as manifestações e deixam lá… alguns minutos na tela.. parado em super close… dá um frio na barriga.

      Curtir

  2. Lake Mungo funciona como drama, nós pouco a pouco nos identificamos com todos os personagens da família de Alice, e guardamos intimamente a vontade de que ela realmente estivesse viva ainda, mesmo após a exumação do seu corpo; funciona como mistério e investigação policial, pois os depoimentos de cada um envolvido, nos passam uma credibilidade incrível, algo que não via há muito tempo em produções deste estilo (e olha que tenho assistido dezenas semelhantes), e o quebra-cabeças vai se montando num ritmo frenético em nossa cabeça, mesmo que as cenas aparentem ser desinteressantes e as filmagens, leeeentas… funciona como horror, pois tem todos os elementos pra isso; como disse, na última parte do filme, a forma como foi exposta pra nós na tela toda a dimensão do caso, é de impressionar; a trilha sonora quase inexistente, dá o toque certo.
    Acredito que, quem não apreciou desta forma o filme, esperava algo mais próximo das produções hollywoodianas de horror sobrenatural, com sangue, tripas, corpos em decomposição, ruídos estranhos e sustos fáceis.
    Eu lí dezenas de opiniões online, falando que o filme não surpreende na sua proposta, mas… quem aqui me fala qual foi mais surpreendente então? Atividade paranormal 2, o caça-níqueis que perdi meu tempo assistindo e não fala a que veio? O último exorcismo, com sua canastrice sem tamanho, que pouco ou nada inova no gênero, mas faturou bem? Se dizemos que um filme não é bom no seu estilo, na sua proposta, temos que ter o bom senso de apontar qual então seria referência, qual então seria melhor.
    Não é?????
    É muito fácil a gente dizer “o filme não é tudo aquilo”… mas tudo aquilo do quê??? Comparado ao quê?
    Amigos, vamos parar de ir no embalo da opinião de pseudo-críticos da internet que parecem um reprisar o outro em palavras, e mostrarmos que temos nossa própria opinião, e acima de tudo: que somos formadores de opinião.
    Gostei: De tudo, dentro da proposta do diretor. Lake Mungo foi pra mim, a melhor produção em forma de mockumentário dos últimos anos, totalmente diferente, mas no mesmo nível de importância que “Rec”.
    Obs.: Lake Mungo não imita filme algum, é anterior a esta “safra” de mockumentários da atualidade.
    Não gostei: Da abordagem espírita; poderia ter sido mais aprofundada, melhor explorada. Mas foi muito interessante.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s