Demônio – 2010 (Devil)

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“Cinco pessoas ficam presas em um elevador de um prédio comercial e aos poucos percebem que este é o menor dos seus problemas. O que eles não sabem é que um deles é o próprio Demônio e sua intenção é não deixar ninguem sair vivo de lá.”

Quando vi o trailer de Devil, não achei muito interessante. O fato de ser idealizado e produzido por M. Night Shyamalan, ainda é um motivo de curiosidade por parte do público. Na minha humilde opinião este diretor teve mais acertos do que erros, passou de filmes geniais a filmes de qualidade duvidosa. Não questiono isso porque dificilmente alguém é um produtor, diretor e roteirista brilhante em todos os seus trabalhos. As vezes, tenho a impressão que após o sucesso monumental de O Sexto Sentido (para mim, irretocável) abriu uma perigosa porta para o M. Night Shyamalan: Liberdade Total. E exatamente por esta liberdade de criação, ele nos “presenteou” com A Dama da Água, Fim dos Tempos e Demônio.

Antes de qualquer coisa, não estou colocando Demônio no mesmo patamar que Fim dos Tempos, mas com certeza é um dos filmes apagados da cinebiografia de Shyamalan. A idéia me instiga. Cinco pessoas que não se conhecem, presas em um ambiente fechado, pequeno, claustrofóbico, com um problema ainda maior que elas nem imaginam: A cada apagar de luzes, um deles será assassinado. Só isso já deixa uma aura de suspense que pode segurar um filme inteiro, isso se você tem bons atores, um bom texto e investir em diálogos que mostrem a tensão e desconfiança que nasce entre eles.

O problema é que M. Night Shyamalan resolve ir pelo caminho oposto. Coloca o foco da tensão, na maioria das vezes, do lado de fora do elevador o que prejudica muito o filme. Eu não me importei muito com os personagens presos e muito menos com o destino reservado pra eles. As explicações sobre os fenômenos sobrenaturais da história são tão bobas que chegam a constranger ( afinal de contas, se mordo a língua, dou uma topada na mesa … é sinal de que o diabo está por perto?) Além disso, me incomodou a forma caricata que o personagem latino foi mostrado. Era para ser engraçado e não foi ou Era para ser amendrotador e não foi? Eu senti vergonha alheia.

Acho que a melhor coisa que poderia ter acontecido ao filme era ter como foco o elevador. Se o cenário fosse apenas o elevador, os diálogos entre os personagens, a desconfiança, a descontração, o desespero, o medo, o alívio… se isso acontecesse, acredito que eu teria me importado muito mais com as mortes ou com quem alí era o capeta ou não. Acho que a intervenção da polícia ou qualquer outro persongem fora do elevador deveria ter sido feita via rádio ou telefone interno, sem rostos ou tramas paralelas. O grande perigo nisso é que para segurar um filme inteiro assim, seriam necessários bons atores, um texto com diálogos elaborados e inteligentes, fazer o terror crescer aos poucos ali dentro e a sensação de que não sairíam dalí vivos… isso dá trabalho. Não é para qualquer um. Toda aquela besteira e explicações sobrenaturais seriam cortadas! Os eventos sobrenaturais aconteceríam dentro do elevador mas não precisava nenhuma explicação para o telespectador, nenhuma! O que mais me deixa chateada é que acredito que o M. Night Shyamalan é totalmente capaz disso e mesmo assim, mais uma vez, optou na liberdade criativa e viajou na maionese.

Pra encerrar, quero dizer que o filme não é ruim! Acho que vale o ingresso. Eu fui ao cinema esperando um filme decepcionante, me surpreendi. O filme não é maravilhoso, mas é bom! O M. Night Shyamalan está voltando, aos poucos, mas está! Devil é uma prova disso. A única coisa que me chateia é assistir um filme onde muito poderia ter sido mas não foi.

12 comentários sobre “Demônio – 2010 (Devil)

  1. Dani, o filme pode ter decepcionado quem queria mais elevador e menos cenas fora dele. Mas, pelo trailer já dava pra perceber que seria dessa forma, até porque nenhum daqueles cinco atores teria capacidade de ‘segurar’ o filme inteiro com bons diálogos. No final das contas, eu gostei do filme, talvez tenha ficado no ‘quase…’ mas para entretenimento é uma boa pedida.

    Abraço;

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  2. Bem,

    Ao que entendi, e que fica bem claro no trailer, este NÃO é um filme do M. Night Shyamalan.

    É baseado num conto que ele escreveu.. (sim, ele tb escreve..rs..) e muito provavelmente ele só entra como produtor por conta disto..(Inclusive, produtor não dá pitaco no roteiro nem na direção.. mas enfim, isso é outro papo..)

    Quando vi o trailer achei a história até interessante..quando vi que estava explicito que era baseado numa história dele desisti..
    Principalmente porque não acho que um cara (John Erick Dowdle) que dirigiu “Quarentena” tenha pulso filme pra dirigir uma história do Shyamalan..
    Mas convenhamos, a chamada principal do filme instiga..

    Depois de ler essa crítica, vou esperar sair em dvd.. quando estiver na promoção de “leve grátis” eu assisto.

    Thanks =)

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    1. Sim.. o Shyamalan não dirige este filme. Ele é responsável pelos contos, este é apenas um deles. Mas como produtor ele dá muito pitaco não necessariamente no roteiro mas desde a escalação e teste de elenco até locações e afins.
      E a partir do momento em que se coloca o nome dele em cartazes, chamadas e trailers isso pode ser muito bom ou muito ruim. Tudo depende de como as pessoas vêem o trabalho dele…
      Pelo que estou vendo atualmente isso não é um bom atrativo embora eu ache que ele teve mais acertos do que erros no total da sua carreira desde direção até roteiro.

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