Rubber (2010)

Assim que vi o trailer de Rubber (enviado pelo amigo e leitor Uraí) minha cabeça, assim como a de alguns personagens do filme, simplesmente explodiu. Vejam só queridos leitores, Rubber conta a história de um pneu que adquire ‘vida’ e poderes telepáticos e sai explodindo a cabeça das pessoas que aparecem em seu caminho, um serial killer de borracha (o signficado de rubber em inglês) que desperta e mata sem nenhuma razão.

A premissa desta obra pode parecer absurda, aliás, é absurda, mas é também incrivelmente genial. A primeira cena de “Rubber” é daquelas para entrar na lista de cenas inesquecíveis do cinema. Depois de algumas insanidades sem motivo aparente (e realmente não possuem) surge um xerife fazendo algumas perguntas como: “Porquê no filme de Steven Spielberg o ET é marrom?” ou ainda “Porquê não podemos ver todo ar que respiramos a nossa volta?”, a resposta: “Nenhuma razão”. E é basicamente do que se trata o trabalho do francês Quentin Dupieux, uma verdadeira ode à nenhuma razão, que, como é dito no filme, trata-se do elemento essencial dos grandes sucessos do cinema e também de nossas vidas e razão de existir.

Por mais tosca que possa parecer a ideia de uma história onde temos como protagonista um pneu assassino com poderes telepáticos, toda a parte técnica do filme é bem trabalhada, com grande destaque para a fotografia que é muito boa. Fora isso, existe o recurso da chamada ‘metalinguagem’, se fala do filme dentro do filme. Existe na trama personagens que são espectadores e acabam nos representando na tela, eles comentam sobre as cenas e, em uma oportunidade, um deles inclusive dá seus pitacos de como deveria transcorrer a história.

Em um determinado ponto fica aquela sensação que poderia ser algo mais curto que não fosse necessariamente um longa metragem, ainda assim, existem algumas cenas que, pelo menos para mim, se tornaram memoráveis. Por esse e por outros motivos acredito que “Rubber” tenha potencial sim de se tornar um cult do cinema.

Com um orçamento declarado de 500 mil dólares, o filme chegou a ser exibido em alguns festivais de cinema como o de Cannes e também no festival de cinema do Rio no ano passado, nos cinemas comerciais acho bem complicado ele aparecer, seu destino deve ser mesmo o DVD (na locadora torrent já tem…).

Com um nível de ‘nonsense’ bastante alto, “Rubber” é um filme de horror, suspense e (porquê não?) drama. Note como é lindo quando o pobre pneu incompreendido por todos ao seu redor começa a aprender dar seus primeiros passos, ou melhor, giros. Ele mata, persegue, se esconde e até se apaixona. Qual a razão de se fazer uma obra cinematográfica onde temos um pneu serial killer com poderes telepáticos? Nenhuma. E qual a razão para você, caro leitor, assistir isto? Se depois de ver o trailer ou ler sobre ele você não tiver se interessado então não existe realmente nenhuma razão.

 


Rubber (Horror, Comédia, Drama: 2010 – 85 min)

Um filme de Quentin Dupieux com Stephen Spinella, Roxane Mesquida, Jack Plotnick e Wings Hauser.

24 comentários sobre “Rubber (2010)

  1. Rapaz, tô aqui tentando decidir se a premissa é genial ou imbecil … Isso já dá muito crédito.

    Mas por outro lado, tudo tem sim sua razão:
    O ET é marrom pq tem muita melanina.
    Não podemos ver o ar porque o ângulo de refração da luz nele é muito baixo.

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    1. Tem isso aí que você falou das filmagens em HD que contribuem realmente bastante. Quanto a classificação ficou em 3 de 5 por algumas cenas impagáveis, é divertido apesar de absurdo e em até certos pontos a gente ficar procurando o motivo de estar assistindo hahahah, mas realmente “no reason”.

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  2. Igor ria e eu com vontade de chorar. É muito longo pra uma piada. Seria legalzinho se durasse apenas 10 min. Fiquei Puta por seu primo fazer eu perder meu tempo assistindo isso.

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    1. Achei a “piada” boa e eles souberam conduzir por muito tempo utilizando varios elementos de metalinguagem e sátira ao próprio cinema. Se prender apenas ao pneu explodindo cabeças é realmente um exercício chato e cansativo, o que pode levar mesmo a ter essa sensação de “arrastamento” por 1 hora e meia.

      Mas eu te entendo, apesar de não concordar 🙂

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    1. Não tinha parado pra analisar desta forma ainda, mas como o filme é um sátira/homenagem ao cinema de modo geral, não é difícil sentir uma “pegada” (lá ele) do humor dos irmãos Coen em algumas passagens.

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