The Walking Dead [03×04] – Killer Within

Posso dizer seguramente que esse foi o melhor episódio das três temporadas de The Walking Dead. Todo o episódio foi um grande clímax com uma sensação de season finale. Para aqueles que nunca acreditaram que uma série como esta onde um apocalipse zumbi fosse o pano de fundo daria certo, The Walking Dead veio para provar o contrário. Com um orçamento menor em sua primeira temporada, a série logo apresentou uma montanha russa emocional. Encontramos pessoas fragilizadas pela recente mudança do mundo, um casal que se reencontra, um vilão travestido de mocinho assim como um mocinho travestido de vilão, sub grupos concentrados em seus egoismos, mortes violentas, questionamentos e uma das cenas mais incríveis que já vi em uma série: Rick chegando a cavalo em uma Atlanta tomada por milhares de zumbis! Agora já estamos na terceira temporada e a ciranda de emoções só faz aumentar e a horda de fans também.

Em Killer Within encontramos uma Michonne ainda mais desconfiada, farejando a mentira por trás das mortes dos soldados. Ela não faz nenhuma questão de parecer acreditar na história contada pelo Governador e isso pode ser um grande problema para ela. Mesmo com a cortesia que ele sempre faz questão de mostrar é possível perceber a tensão na troca de olhares. Esse quase sorriso que o Governador ostenta faz dele um homem ainda mais assustador.

Ainda em Woodburry, Andréia está disposta a ficar mas não quer admitir para si mesma. Ela sente que tem uma dívida com Michonne e se por acaso chegar a partir, será mais para acompanhar a amiga do que por vontade própria. A conversa que ela teve com o Governador – ou diria Philip? – foi muito bem construída. Ele é um homem extremamente sedutor e quando Andréia saí da casa podemos perceber que aquile flerte nada mais foi do que uma estratégia para mantê-la sob sua “proteção”.

Mesmo com todas as cenas interessantes em Woodburry, é na prisão que vibramos, torcemos, nos assustamos e choramos. Quando a possibilidade de deixar os dois prisioneiros restantes se unirem ao grupo principal é levantada, a maioria se mostra contra  a decisão. Até Daryl que não acredita na vilania dos presidiários é contra. T- Dog faz o papel que sempre foi de Dale: a voz da razão. Quando todos já se mostram decididos a não estender a mão, T-Dog lembra que a família de Hershel também já os acolheu e eles já brigaram pela oportunidade de viver na fazenda.

De repente tudo muda. Um ataque zumbi tão rápido desestabilizou a todos, inclusive a mim, que me peguei dizendo em voz alta: “Corre! Corre! Vai! Vai!“. Naquele momento eu já estava preparada para me despedir de Hershel mas quando o grupo se separou eu comecei a temer por cada um deles! Aquela corrida de Daryl, Glenn e Rick foi tão bem feita que era quase palpável o desespero deles para ajudar. E como uma preparação para o que estava por vir, os gritos de Rick eram para pronunciar uma única palavra: Lori !

Ao entrar na prisão o grupo se separa mas não antes de T-Dog ser mordido. Quase que como uma punição – da mesma forma que aconteceu com Dale – ele é mordido. Ele questionou o bom senso, a desumanização, o que aquele grupo tinha se tornado e logo depois foi atacado como se o mundo não tivesse mais lugar para pessoas assim, tão humanas. Seu altruísmo ao se jogar entre os zumbis em uma tentativa de salvar Carol foi uma conclusão linda e também emocionante para seu personagem.

Mas infelizmente, a morte de T-Dog não foi a única baixa do grupo. Lembram que no texto anterior eu comentei como The Walking Dead fez com que nos importássemos mesmo com os personagens que não gostamos? Pois então, Lori é o maior exemplo disso. Muito criticada pelo seu egoísmo eu nunca a vi dessa forma. Entendo que ela foi reativa desde o início. Em um mundo que de uma hora pra outra é infestado por zumbis, ela se vê sozinha com o filho ainda criança e Shane. Não vou dizer que não existia uma tensão sexual entre os dois mas acredito que a primeira coisa que Lori pensou foi: preciso proteger o meu filho. Shane é minha única esperança de me salvar e salvar o Carl. Não vou condená-la, não acho que ela agiu correto em vários momentos inclusive nesse relacionamento mas acho Lori fez de tudo pela própria segurança, mesmo que para isso fosse necessárias atitudes duvidosas.

O problema é que ela se redime. Em plena fuga, Lori entra em trabalho de parto e se mostrou uma das personagens mais corajosas da série. Enfrentando uma dor de parto, enquanto faz de tudo para não emitir som, ela também mostrou que se tornou uma mulher diferente. Sem muito tempo para explicações, Lori arrancando as calças, a urgência, essa foi uma das poucas vezes que vi Carl muito nervoso.  O pedido para uma cesariana foi um gesto muito racional e destemido: se o bebê morresse, ele viraria um zumbi dentro dela e ambos morreriam; se apenas ela morresse, o bebê teria uma chance. Ter a barriga aberta por uma faca suja, sem anestesia, com alguém remexendo suas entranhas para tirar um bebê deve ser uma morte terrível. A despedida entre ela e Carl foi de partir o coração. Naquele momento ela mostrou que seu papel de mãe foi muito maior do que todas as críticas que os telespectadores fizeram dela.

Já acompanhávamos o processo de amadurecimento precoce de Carl mas ver a mãe morrer durante o parto improvisado e depois dar um tiro na cabeça dela, mostrou que não existe mais nenhuma linha a ser atravessada. Ele está do outro lado e jamais poderá retornar. O flashback onde Rick e o filho tem uma conversa onde ele tenta prepará-lo para as tragédias que virão são uma das coisas mais tocantes desse episódio. O problema é que nenhuma conversa poderia preparar Carl para aquilo. Acabou.

Será mesmo que alguém não sentiu o coração apertar quando Rick ouviu o choro de um bebê e ao olhar pra trás não vê Lori? Andrew Lincoln fez um trabalho extraordinário durante toda a série mas nesse momento em que está alí, desesperado, sem chão, é onde mostra todo o seu talento. Quando se dá conta que Carl foi o responsável por não deixar a mãe voltar… pois é, Sr. Rick Grimes. Shit happens.

Personagens saem, novos virão. Espero que a série consiga manter esse nível até o final da temporada mas não exagerem pois não aguento mais tanta emoção como teve nesse episódio.

P.S.: Você já reparou na expressão que O Governador faz quando alguém discorda ou o contraria?  A olhada que ele deu para Merle?

 

 

10 comentários sobre “The Walking Dead [03×04] – Killer Within

  1. Foi um episódio pra deixar, no mínimo, com nó na garganta. Fazer Carl matar a própria mãe mostra que a série está disposta a entregar algo próximo à brutalidade tão falada das HQ´s.

    Desconfio que TWD e Andrw Lincon têm grandes chances de serem indicados ao próximo Emmy por causa desse episódio e inesquecível cena final. Que atuação!

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  2. Nunca vou esquecer do choro do rick…… foi muito impactante. foi uma daquelas cenas que ficam na memoria.

    não exito dizer que esse foi o melhor episodio que eu já assisti em um seriado, a corrida, o altruismo do T-dog, a morte da lori, a cara do rick e o sangue frio do carl.

    Agora alguém sabe se rolou alguma critica ao fato do carl ter atirado na propria mãe? a sociedade americana consegue ser extremamente hipocrita nesse tipo de coisa. já ouvi de um seriado ser cancelado por causa da associação de pais e mães que consideraram tal seriado: um absurdo de ser mostrado aos jovens (era um seriado de jovens que bebiam se drogavam e faziam sexo, nada fora do que se encontra todos os dias por ai.) fico contente por não haver suavizações, mas imaginei que fosse acontecer para evitar problemas.

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    1. Luiz,
      Espero que TWD não passe por isso. Na HQ, Carl mata uma criança e não a própria mãe – que também morre mas com um tiro. Achei que a mudança foi muito corajosa e de uma audácia incrível pois fez com que até mesmo aqueles que não gostavam da Lori, se comovessem. A história de Carl não matar uma criança (que nem mesmo tinha sido mordida) acho que seria muito, muito mais pesada afinal, conseguiram segurar no ponto de: ela já tinha “morrido”. O mesmo que aconteceu com Shane. Suavizou mas não diminuiu o impacto disso.

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      1. WOW! realmente eu não leio a hq porque gosto muito do seriado e prefiro um ponto de vista único, tento evitar spoilers e comparações.

        mas pelo que você falou, eu concordo com você. acho que realmente acertaram na dose certa

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  3. Me arrepiei assistindo o episódio e agora me arrepiei lendo seu texto Dani, todas as emoções que senti foram sendo revividas em minha mente.

    Sim, sem sombra de dúvidas o melhor episódio de toda a série até aqui. E mais, coloca TWD entre as maiores séries já criadas.

    O trabalho com os personagens é foda demais, nos fazem odiá-los e depois amá-los e quando estávamos já iguais a Rick, prontos para perdoá-la chega essa incrível e dolorosa despedida.

    E Carl? Desde o início desta temporada que ele também mudou, o que era antes tido como criança burra que atrapalha já demonstra ser uma das pessoas mais fortes e, em breve, mais importantes do grupo.

    Como não amar The Walking Dead?

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  4. meu Deus,como eu chorei assistindo esse episódio,não chorava assim desde a série greys anatomy,duas mortes num episódio só eu não esperava mesmo,e a Lori morrendo foi muito triste,agora eu quero ver se os haters vão dizer que ela é egoista depois de ter dado a vida pelo filho,e o pior é que vão ,o povo sem coração. e que interpretação maravilhosa essa do Andrew lincoln,fiquei morrendo de pena dele tadinho. e que texto perfeito esse seu,como o Marcio citou aí em cima,lendo o texto eu tbm voltei a me emocionar,e olha que sou uma pessoa meio fria.mas realmente ,espero que o próximo episódio não seja tão penoso,senão meu coração não aguenta .e o governador tá doido pra dar o bote em cima da Andrea né,se bem que ela vai adorar isso hahaha,mas quando ele começar a enlouquecer de vez quero só ver.

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  5. Realmente essa série é surpreendente!
    Depois de algum tempo resistindo a botar mais uma série na minha lista (que ja tinha Supernatural, Spartacus e Game Of Thrones), resolvi começar a assistí-la na semana passada e finalmente no dia de ontem consegui chegar no episódio 5 da 3ª temporada. Hoje devo assistir o 6º.
    Muito bom o seu texto sobre o 4º episódio dessa temporada, foi realmente sensacional e conseguiu fazer um mix de emoções em todos que estão acompanhando a série.
    Espero realmente que não queiram fazer dessa série o que fizeram com muitas outras que se extenderam e acabaram se perdendo.

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