O Mestre (The Master)

Todas as três indicações ao Oscar 2013 recebidas em “O Mestre (The Master)” são para o elenco, melhor ator principal para Joaquin Phoenix, melhor ator coadjuvante para Philip Seymour Hoffman e melhor atriz coadjuvante para Amy Adams. Para quem é fã ou pelo menos acompanha a carreira do cineasta Paul Thomas Anderson (“Magnólia”, “Sangue Negro”, dentre outros) sabe que isto não é nenhuma novidade, ele é mestre em deixar bastante espaço para os atores brilharem mais do que seus próprios trabalhos que nem sempre resultam em filmes triviais de serem assistidos.

Na trama acompanhamos o retorno de um veterano de guerra da marinha (Joaquin Phoenix, “Amantes”). Bastante instável e alcóolico, quando ele se depara com um culto conhecido como “A Causa” e, principalmente conhece o seu mestre (Philip Seymour Hoffman, “Dúvida”), ele acaba sendo totalmente tentado a se engajar no ‘projeto’ que promete alinhar as emoções de seus seguidores com estudos mesclados entre a filosofia e a ciência.

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Apesar de em nenhum momento ser anunciado, o tal ‘culto’ chamado na história aqui de “A Causa” tem como base e inspiração o início da Cientologia, uma espécie de religião que tem como um dos mais famosos seguidores o ator Tom Cruise e está sempre envolvida em polêmicos debates e discussões mundo afora. Independente disso tudo, o estudo sobre o surgimento de um culto ou religião é retratado aqui de forma muito interessante por Paul Thomas Anderson.

Apesar de ser claramente um filme desafiador para o público mais acostumado com roteiros menos densos e provocativos (na sessão que assisti houveram 7 desistências), é indiscutível que uma das melhores qualidades desta obra estão centradas justamente no embate épico de atuações entre Joaquin Phoenix e Seymour Hoffman. A tal discussão ‘religiosa’ fica muitas vezes em segundo plano e serve apenas como base para os dois atores entregarem atuações assombrosas.

Para quem achava que o Oscar de melhor ator já tinha destino certo nas mãos de Daniel Day-Lewis por “Lincoln”, ver Joaquin Phoenix impecável com um personagem tão complexo joga esta certeza por água abaixo. Seu personagem beira a loucura e toda vez que está em cena gera uma certa preocupação em torno de todos que estão a sua volta, até mesmo no espectador. A qualquer momento ele pode explodir emocionalmente e as consequências são quase sempre desastrosas. Do outro lado, o mestre, que tenta provar a todos a qualquer custo que pode “salvá-lo” com suas técnicas e teorias e está sempre com veias prestes a explodirem. Sem contar que qualquer um que se ponha no caminho de seu culto corre sérios riscos de encontrar a ira e a fúria como resposta.

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É preciso comprometimento de todos, para os personagens da história com “A Causa” e para os espectadores que vão ao cinema assistir “O Mestre” com o filme, que não segue um caminho muito simples, mas existe uma força quase hipnótica que consegue nos mover até o seu desfecho.

Como nunca fui muito fã dos trabalhos de Paul Thomas Anderson (podem arremessar as pedras à vontade), achei apenas um bom filme e que valeu a pena muito mais pelas atuações impressionantes do que pela história em si. Talvez eu precise de algumas sessões de regressão de vidas passadas para, quem sabe, gostar um pouco mais deste cineasta tão cultuado no mundo do cinema.

 


Bom: Classificação 3 de 5

cartaz-de-divulgacao-do-filme-o-mestreO Mestre (The Master, 2012/2013 – 144 min)
Drama

Um filme de Paul Thomas Anderson estrelando: Philip Seymour Hoffman, Joaquin Phoenix, Amy Adams, Jesse Plemons, Laura Dern, Ambyr Childers, Lena Endre, Raimi Malek, Madisen Beaty e Fiona Dourif.

17 comentários sobre “O Mestre (The Master)

  1. sua critica me instigou ainda mais a querer ver este….eu sou fã das a tuações do Phoenix…e com certeza vou gostar desse filme..pois o tema Religião mexe muito comigo….

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  2. Depois de sua sessão de TVP, você volta para explicar porque não gosta de Paul Thomas Anderson, ok? hehe. Brincadeira. Não que eu venere o diretor, gosto mais de Magnólia que Sangue Negro, por exemplo. Mas, O Mestre me conquistou. Um filme bem conduzido, intenso, com ótimos momentos, não apenas atuações.

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    1. Pior que é complicado, é bastante pessoal mesmo, não venero Magnólia e nem achei Sangue Negro o supra-sumo da terra do cinema. Mas quem sou é né pra falar?

      Paul Thomas Anderson, até o nome é imponente, eu que deveria melhorar, não ele hehehe

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  3. é bom ver o Joaquin Phoenix na ativa novamente,ainda bem que ele superou aquela fase estranha de alguns anos atrás,que ele continue assim,ótimo ator. quanto ao filme,sei lá,nem sei se quero ver,respeito que tem religião apesar de não ser NADA religiosa,mas acho religião uma forma de alienação criada pelo homem para alienar outros,a maioria é cheia de preconceitos e bizarrices,mas acredito em Deus apesar de pensar assim,e respeito os ateus do mesmo jeito tbm ,e repito:NÃO TENHO NADA CONTRA QUE TEM RELIGIÃO,SÓ NÃO TENHO SACO PRA ISSO.espero que meu comentário não seja excluido,pois sei que peguei um pouco pesado,foi mal o desabafo brother,vc já deve ter percebido que eu não bato bem hahaha…….

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    1. Vanessa, se você gosta do Joaquin Phoenix e tem este pensamento em relação a religião, talvez fosse bom assistir o filme. Paul Thomas Anderson não toma partido nem a favor, nem contra e ainda insere vários personagens que ficam questionando o tal mestre a respeito das coisas “inexplicáveis” em seu culto e ele sempre está explosivo nas respostas.

      Enfim, é um filme meio complicado de se assistir mas acho que vale a pena assim mesmo.

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  4. PTA é um dos meus preferidos, mas sinceramente, considero O MESTRE o mais fraco dele, mesmo assim digno de um 7… as atuações são irretocáveis e o Joaquin Phoenix está de fato incrível, mas senti falta de uma história melhor trabalhada e de algum acontecimento mais impactante, digamos.

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  5. A trama do filme é de uma monotonia de levar o espectador ao sono não fora a incrível atuação do Joaquin Phoenix. A cena final, onde ele já um mestre em ação inicia uma parceira amorosa nos jogos de auto-conhecimento, e a seqüência de um sono tranquilo a beira mar , fazem apologia das crenças pregadas pelo Mestre: a metodologia consegue que um desajustado de pôs guerra, reativo e perdido, integre seu passado e encontre a alegria e a paz no presente.

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  6. Sou um dos fãs de PTA, principalmente por Sangue Negro, para mim, um dos melhores filmes que já vi, porém em “O Mestre”, assim como no intregável “Magnólia” temos o mesmo defeito. PTA complica demais, dificulta demais, dando isso como pretexto para realizar um filme denso e apurado, mas não é verdade. É um filme falho e perdido. O que salva são as grandes interpretações mesmno, fato, principalmente de Joaquim e Philip, mas, para quem viu Hugh Jackman em Miseráveis. Se alguém pode por dúvida no Oscar de DDL é Hugh e não Joaquim.

    Pense bem. É uma grande interpretação e tudo mais, mas é o Joaquin interepretando ele mesmo. Ele é assim na vida real, ou seja, não foi grande esforço para ele tenha certeza. Acho que a personagem dele no filme Johnny e June foi muito mais rica e complexa do que o Freddy de “O Mestre”.

    UFA! Overdose aqui para fazer as análises dos filmes que tinha visto e visitar os amigos. Abraços!

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    1. Também fico nessa overdose as vezes Bill, só gosto de comentar no seu e em todos outros blogs que acesso depois de assistir ao filme e escrever o texto (tento evitar influências mais do que spoilers).

      Pelo visto, PTA tem uma legião de fãs. Faço parte da resistência hahhaha

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